CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


  CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL  

Umbanda Amparo Legal

Por se tratar de religião e cultura, a Umbanda é duplamente protegida na forma da lei pela Constituição da República Federativa do Brasil. Outrossim, o artigo 208 do Código Penal Brasileiro prevê, para o crime de ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo, pena de detenção de um mês a um ano ou multa. Para que todas as pessoas que professam a Umbanda fiquem cientes dos seus direitos é bom observar com atenção os artigos constitucionais que podem e devem ser evocados quando qualquer cidadão sentir-se aviltado no que diz respeito à liberdade de crença religiosa.


O artigo 5º da Constituição Federal assegura:
"Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza, garantido-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade."


Portanto, como a Constituição assegura que não deve haver distinção de qualquer natureza, católicos, protestantes, evangélicos, umbandistas, espíritas, budistas, muçulmanos, membros do Candomblé etc. são iguais em direitos e obrigações, estando, pois, submetidos às mesmas leis e devendo observar o inciso VI do artigo 5º da Carta Política de 1988, que diz:


"É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias."


Ainda na Constituição Federal, o parágrafo 1º do artigo 215 deixa muito claro que a Umbanda, que é também evidente manifestação da cultura popular afro-brasileira, pode contar com a proteção do Estado para existir e resistir:


"O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e difusão das manifestações culturais.
Parágrafo 1º. O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e dos outros grupos participantes do processo civilizatório Nacional".


Na legislação infraconstitucional diretamente relacionada ao inciso VI do artigo 5º, o artigo 208 do Código Penal merece menção, haja vista que os crimes que define têm sido cometidos freqüentemente contra adeptos das religiões afro-brasileiras sem que se tomem providências primeiramente por uma nítida falta de interesse das autoridades e depois porque os adeptos, na maioria das vezes, não sabem que tais atos constituem crime.


"Artigo 208: Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:
Pena - detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa.
Parágrafo único. Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente a violência".


Como fica a situação quando a policia, respaldada pelo poder do Estado, infringe a lei?


Se considerarmos que a proteção aos locais de culto e a suas liturgias é garantida na forma da lei, é dever da polícia, quando solicitada, prestar assistência aos adeptos para que possam cumprir seus rituais com segurança e não impedi-los, por exemplo, de fazer suas oferendas. Fazer uma oferenda a Exu numa encruzilhada é um direito, assim como é um direito do crente pregar em praça pública ou do católico fazer procissões. A polícia também não pode invadir um terreiro de Umbanda, a menos que observe os trâmites legais.


Todos têm direito à liberdade religiosa, que não atinge um grau absoluto, pois não são permitidos a nenhuma religião ou culto, atos atentatórios à lei, sob pena de responsabilidade civil e criminal. Um adepto de determinada religião, por exemplo, não pode evocar o inciso VI do artigo 5º da Constituição, ou seja, suas convicções religiosas, para livrar-se dos crimes estipulados no artigo 208 do Código Penal. Há que se observar o inciso VIII do artigo 5º da Constituição, que diz:


"Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei".


O Brasil, por meio do Pacto de São José da Costa Rica, se comprometeu a respeitar o sentimento religioso, avalizando o documento que no artigo 12.1 da Convenção diz:


"Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião. Esse direito implica a liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças, bem como a liberdade de professar e divulgar sua religião ou suas crenças, individual ou coletivamente, tanto em público como em privado".


Devem os templos de Umbanda e seus responsáveis começarem a reivindicar os privilégios e isenções que a lei assegura aos ministros de confissão religiosa e às suas igrejas, como o direito a prisão especial, a contribuição à Previdência Social na qualidade de sacerdote e a desobrigação de recolher alguns impostos como o IPTU.


É importante também difundir a Lei nº. 7.716 de 5 de janeiro de 1989, não só entre as pessoas do Umbanda, mas para toda a sociedade, especialmente entre os negros que sofrem muito mais com o preconceito que, mesmo camuflado pelo mito da democracia racial, existe no Brasil. Isso serve para ratificar que o caminho para viver plenamente a cidadania é o da
consciência, que passa, necessariamente, pelo reconhecimento das leis que asseguram os direitos de todos os cidadãos, brancos ou negros, crentes ou de Umbanda, ricos ou pobres.

Fica claro então que nossa religião, como qualquer outra, possui seus direitos legais garantidos pela Constituição Federal do Brasil, nos delegando assim o direito a prática de nossos rituais sem a preocupação de sofrermos algum tipo de censura religiosa alheia. A LEI NOS GARANTE ISSO!!!

Diga NÃO à Intolerância Religiosa

21 de Setembro -

Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído pela Lei n.º 11.635, de 27 de dezembro de 2007

Primeiro axé Maringá

I axé maringá e região.
Cidadania, igualdade e tolerância religiosa.
Exposição: Elementos Essenciais das Religiões Afro-Brasileiras (plantas,comidas, imagens, objetos usados nas cerimônias)
  Apresentação: Cânticos de Louvação às divindades Afro-brasileiras
o I axé Maringá  e região propõe dar visibilidade ás religiões Afro-Brasileiras da região metropolitana de Maringá
( Maringá, sarandi, Marialva, e outras) e dos respectivos envolvidos, que lutam pela conquista de seus direitos e da cidadania plena, pelo direito á identidade cultural e contra a intolerância religiosa.
As Exposições e discussões também forneceram subsidíos para a aplicabilidade da lei 10.639/ 2003, que dispoêm sobre o ensino de história e cultura afro brasileira.

     Galeria de fotos 1
    Galeria de fotos 2

Parabéns aos organizadores desse evento.
Universidade estadual de Maringá.
Centro de ciências humanas, letras e artes
ao programa núcleo de de estudos interdiciplinares
afro-brasileiro-neiab
Grupo de estudos sobre religiões afro-brasileiras-religafro.
Aos Pais e Mães e filhos de Santos,da umbanda e do candomblé.
ficou claro nesse evento que:" a união faz a força."
Parabéns a todos  que vestiram a camisa e se fizeram presentes.
Que Oxalá abênçõe a todos nós.

Salve a Umbanda.

"É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias."

 

Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Campus Maringá
Curso de Direito
Disciplina de Cultura Religiosa
Docente: José Francisco de Assis Dias
Aluna: Maria Terezinha Furuyama 1 ano A – Diurno
CANDOMBLÉ.
O candomblé foi levado ao Brasil por escravos nativos da África, na região de
Angola, no final do século XVI. Entre as religiões brasileiras o candomblé é
considerado a mais pura, é uma religião musical e culturalmente rica, pois sua
dança tem papel muito importante nos rituais. O Candomblé é o culto afro que
mais preserva as origens africanas em sua integridade, procurando evitar o
sincretismo religioso. Para os colonizadores portugueses, as danças e os rituais

eram considerados
feitiçarias e deveriam ser proibidos. A solução encontrada era rezar para um
santo e acender a vela para os orixás. Por isso, o candomblé possui alguns
traços do catolicismo.
Os Orixás são os deuses africanos cultuados no candomblé. Alguns são seres
primordiais, outros são vistos como ancestrais divinizados dos clãs africanos.
Eles estão longe de se parecerem com os santos católicos que um sincretismo
arcaico insiste em manter. Ao contrário, eles revelam características humanas,
como emoções, vontades e tendências diversas, que os aproximam bastante das
pessoas que os têm como patronos. Cada traço da personalidade é associado a
um elemento da natureza e de sua cultura. O àse das forças da natureza é parte
do òrìsà, porque o seu culto é exatamente dirigido a esses poderes: nascimento,
vida e morte, saúde, doenças, chuva, orvalho, mata, rio etc. Representam os
quatro grandes elementos: fogo, ar, terra e água, e os três estados físicos dos
corpos: sólido, líquido e gasoso. Representam ainda os três reinos: mineral,
vegetal
e animal, além dos princípios masculino e feminino, também presentes em sua
representatividade. Tudo isso revela o poder vital, a energia, a grande força de
todas as coisas existentes, que é denominada de àse.Cada Orixás possui seu
sistema simbólico: cores, cantigas, danças, rezas, comidas e proibições.
UMBANDA
A Umbanda é uma religião natural que segue minuciosos ensinamentos de várias
vertentes da
Humanidade. Ela traz lições de amor e fraternidade sendo cósmica em seus
conceitos e
Transcendental em seus fundamentos.
A essência, os conceitos básicos da Lei de Umbanda fundamentam-se no seguinte:
- Existência de um Deus único
- Crença de entidades espirituais em evolução
- Crença em orixás e santos chefiando falanges que formam a hierarquia espiritual
- Crença em guias mensageiros
- Na existência da alma
- Na prática da mediunidade sob forma de desenvolvimento espiritual do médiun.
Essas são as principais características fundamentais das Leis de Umbanda, uma
religião que prega a Paz, a União e a Caridade.

A Umbanda tem como lugar de culto o templo, terreiro ou Centro, que é o local
onde os Umbandistas se encontram para realização de suas giras, sessões.
Gira de Umbanda é um termo cujo significado é sessão umbandista, com cânticos,
danças, rezas e benzimentos. As giras internas são fechadas para os que estão se
iniciando na religião, desenvolvendo a mediunidade; as giras externas, abertas ao
público, destinam-se atendimento dos consulentes e resolução dos mais diferentes
problemas.
A gira é um ritual mágico utilizado na umbanda para a manifestação dos espíritos
através da possessão
Atendimento fora da gira são as consultas particulares, onde as pessoas conversam
com nossas entidades, a fim de obter ajuda e conselhos para suas vidas, curas,
desobsessões e para resolver problemas espirituais diversos.
Nas giras dos terreiros ou em consultas particulares o processo é mesmo, os
médiuns incorporados pelos seus guias (pretos-velhos, caboclos, crianças etc),
procedem ao atendimento espiritual ao público, em que todos são convidados a se
consultarem com um guia e/ou a tomar um “passe”,
As entidades que são incorporadas pelos médiuns podem ser divididas entre:
Orixás: Xangô, Ogum, Exu, Oxum, Nanã, Iemanjá, Iansã, Obaluayê, Oxumaré,

entre outros.
Guias: Pretos- velhos, Caboclos, Boiadeiros, Crianças, Exus, Marinheiros e
Orientais.
Normalmente, esse guia de luz, que comanda é um Preto-Velho ou Caboclo .
Na umbanda os médiuns que recebem os guias são chamados, aparelhos.
A incorporação é chamada também transe mediúnico, ou seja, os guias se apossam
do corpo do médium para realizar seus trabalhos.
Existem três categorias de médiuns, inconsciente, semi-inconciente e consciente.
GUIAS E PROTETORES DA UMBANDA
GUIAS UMBANDISTAS
CABOCLOS: espíritos de índios e mestiços, notadamente os das tribos Tupi-
Guarani; são silvícolas brasileiros que viveram antes e depois da descoberta do
Brasil. Há certa analogia com Oxossi, orixá africano, dadas as características de
ambientes: MATAS
PRETOS VELHOS: Espíritos de negros e negras que morreram à época do
cativeiro.
ERES: Espíritos que mantém o psiquismo infantil e crianças brancas, negras e
índias que morreram em tenra idade.
BAIANOS: Espíritos que quando encarnados, habitavam a Bahia ou nordeste do
Brasil.
MARINHEIROS: pessoal que morreu nos mares ou eram marinheiros.
BOIADEIROS: Vaqueiros que trabalhavam nos sítios e fazendas, aí morrendo.

CIGANOS: Espíritos de ciganos, pertencentes as mais variadas tribos, que querem
difundir suas crenças e costumes.
POVO D AGUA: Espíritos ainda envoltos em mistérios, pois raramente falam e
emitem um canto triste e encantador.
EXÚS: Entidade muito controvertida, uns acham que só trabalham para o mal.
Não é verdade. Eles têm um senso de justiça muito apurado conhecem a magia e a
usam bem. Tanto fazem o mal, como podem fazer o bem, depende muito da direção
que o médium dá a essas entidades.
QUIUMBAS OU RABOS DE ENCRUZA: muitas vezes confundidos com Exú, são
espíritos malfeitores, ladrões, bêbados que só fazem o mal e obsedam criaturas.
São almas errantes, com a condição de serem maldosos.
EGUNS: espíritos de gente comum, tidas como sofredores, levianos, zombeteiros
ou perturbados que não aceitaram ou não perceberam ainda a condição de
falecidos e que se encostam a encarnados, transmitindo-lhes suas dores, idéias,
doenças, sofrimentos físicos e morais que os vitimaram, vícios e outras
perturbações, sem, entretanto, terem conhecimento disso. Normalmente depois de
doutrinados e orientados , deixam a pessoa em paz e procuram o seu próprio
crescimento espiritual, vindo, muitas vezes a auxiliar a própria pessoa que antes
obsedavam.
SINCRETISMO NA UMBANDA
Houve um triste tempo em nosso país onde os negros trazidos à força da África
sofriam com a saudade de seus lares, parentes e amigos. Obrigados a uma
rotina de maus tratos torturante sentiam falta de seus ritos tradicionais com
danças, cantos e louvores aos orixás de sua terra. Ao observarem a fé de seus
senhores totalmente direcionada aos cultos católicos, os negros passaram a
disfarçar seus hábitos religiosos usando os santos da igreja como “sombra” para
seus deuses. Colocavam imagens católicas no meio de suas rodas e louvavam
durante a noite as suas divindades, sempre dizendo aos feitores que era o jeito
africano de homenagear os santos de seus senhores. Estes, por sua vez,
estranhavam os batuques e os cantos em linguagem indecifrável, o que fazia
tudo parecer feitiçaria, mas ficavam tranqüilizados ao saberem que eram festas
para os santos católicos, chegando, às vezes, a freqüentar as rodas religiosas.
Desse pequeno embuste surgiu a tradição do uso de imagens católicas para
identificar os santos de Umbanda e Candomblé, o que na realidade não existe.
Claro está que hoje esse sincretismo deixou de ser necessário, mas os pais no
santo admitem que ao se ter uma imagem para direcionar suas preces e pedidos,
os filhos sentem-se mais a vontade, pois os orixás são forças da natureza,
energia vibrante do vento, da chuva, do fogo e assim por diante. Como
relacionar nossas orações a essas energias sem uma imagem que as torne mais
“palpáveis”? Temos também um problema relacionado a isso que é a falta de
imagens umbandistas para os santos de nossa fé, com exceção feita a Iemanjá,
que todo o povo já relaciona à bela imagem da moça vestida de azul. Os outros
orixás não têm uma imagem para ser colocada em nossos congás, portanto,
continuamos a colocar em nossos altares os santos católicos e confiamos, sim,
neles e nos orixás que sabemos não ter essa representação. Hoje existem vários
terreiros que exibem em suas casas imagens dos santos do Candomblé. É

errado? Não. Tudo vale desde que haja o respeito e a fé necessários para um
bom trabalho. Que as mentes estejam direcionadas para a energia que o congá
nos transmite e eleve nossos pedidos e pensamentos até o Pai celestial e que os
santos, católicos ou não, nos ajudem como mensageiros Dele, que na verdade os
são. Respeitemos então o sincretismo como tradição que devemos aceitar e
resguardar para o futuro de nossa religião. A Umbanda é um celeiro de fé e nela
cabem todas as espécies de crenças que possam nos levar ao objetivo maior de
amor e caridade pregado pelas nossas entidades.
Luiz Carlos Pereira
Referência: www.centropaijoaodeangola.com.br
A umbanda com toda a sua riqueza de influências, se mostrou uma pesquisa muito
vasta para ser conceituada sem que existam critérios claros de como defini-la.
Muito mais do que uma religião, percebe-se que existe um desejo muito forte de
aproximá-la e integrá-la à sociedade como um todo. Estudá-la pelo prisma da
busca do fim da intolerância religiosa é ser fiel aos ensinamentos que foram a base
desse trabalho.
O artigo 5º da Constituição Federal assegura:
"Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza, garantido-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade."
"É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre
exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de
culto e a suas liturgias."

 Palavras de Pai João da Caridade.

Sacrifício e Resignação

Esta mensagem é destinada para meus irmãos que atuam juntamente com a espiritualidade através da mediunidade.

Aceitação, sacrifício e resignação.
Antes da alvorada éramos todos despertados, nos davam pão e leite, as vezes lavagem, saímos com o céu a clarear, nossas mulheres entoavam seus cantos, o nego revoltado murmurava baixinho seus lamentos, e nego fujão agonizava no tronco, um aviso para todos os escravos.
João sorria, como poucos de nós João sorria, o sorriso de João irritava até mesmo seus irmãos de cor, como João sorria? João nasceu escravo, nunca soube o que era a liberdade, não sabia o que era ser livre, ele não vinha de Angola, nasceu no cativeiro.
Porém, poucos sabiam que João sonhava, acreditava que um dia poderia saber o que ia além do cafezal, ouvia histórias de cidades distantes, do mar grande e muito mais.
João sabia curar, não passava todo o dia no cafezal, ia para lá de manhã e quando paravam para se alimentar, podia ir a casa grande. Cuidava dos cavalos e animais de estimação rezava uma reza estranha que aprenderá com Pedro Ancião e as vezes era chamado a rezar os Bicho do Sinhô.
E João sorria, fazia tudo com perfeição e isso incomodava seus irmãos, incomodava mais ainda, Claudio, rapaz jovem forte, mulato que gozava de dormir com os trabalhadores brancos da fazenda, Claudio ia até cidade e podia usufruir de muito privilegio, rápido, bom atirador e muito forte era ele que segurava firme o chicote nos castigos determinados por seu senhor, e era ele também que perseguia aqueles que se aventuravam a fugir, quase ninguém escapava de Claudio, ou era morto ou recapturado, chicoteado e assassinado no tronco.
Aqueles que não morriam eram curados por João, João curava o corpo mas gostava mesmo de curar o Espírito e a Alma de seus irmãos, João era incompreendido quando falava em aceitar as coisas da Vida, falava que Ancião Pedro o havia ensinado isso e por conta desse ensinamento, João era feliz. Ele explicava com carinho que a plantas nasciam morriam e por mais que as regasse-se, e o sol a iluminasse, mesmo assim um dia ela iria morrer, e assim era toda vida. Porém, dizia não compreender com clareza por que o negro merecia ter a vida toda no cativeiro enquanto o Branco era livre, porem aceitava e dizia que tudo tem um porquê, e um dia ele iria entender.
Claudio gostava de João, gostava de tirar o sorriso de João, algumas vezes quando todos voltam para senzala, Claudio ficava a frente da fila olhando nos olhos e na face de cada Nego, Nos Negos com olhos de fúria ele balançava seu chicote, já com João era diferente, ele não suportava a alegria do Negro que nada tinha... lágrimas rolavam dos olhos de João.
Vez ou outra essa truculência se repetia.
Certa vez, a Sinhá foi ter seu bebe, mas Dandará cuidadora das escravas da casa grande não conseguia trazer o Filho de sinhá, a mãe não dava passagem ao filho.
Sinhô pediu a Claudio que trouxesse João, bravejando Claudio foi buscar João na Senzala, cheio de ódio por ter que ir buscar seu desafeto, Claudio nada disse, empurrava João para fora da senzala e o empurrava caminho a fora. Na casa Grande João chegava ao quarto, via que sinhá estava quase a perder a consciência, havia feito muito esforço, mas nada de dar passagem ao seu bebe, Dandará preocupava-se com a criança, com a mãe e com ela mesma, sabia que Sinhô não ia tolerar perder seu filho, pior ainda se perder à esposa com seu bebe. João percebeu uma sombra a ganhar forma na cabeceira da cama, era Ancião Pedro, falecido a poucos meses. Ele disse:
- Sinhá guenta João, coração bão, fia boa! Põe a mão João.
João pôs sua mão sobre a barriga de Sinhá e viu Ancião Pedro a fazer o mesmo.
João rezou e rezou, sinhá gemia, se mexia até se acalmar. João então pediu um último esforço... pronto! Nascia pelas mãos de João o filho de Dona Sinhá. João ajudou a nascer esse filho, Branco e Livre para vida. João ficou irradiado de alegria, abraçou Dandará e saiu feliz, Claudio urrava por dentro, naquela noite Claudio não aguentou de ódio. Não aguentava os cuidados e pequenos privilégios que João tinha, naquela noite Claudio pregou João no tronco que sem perguntar o porquê passou a rezar, sentiu a mão de Ancião Pedro na sua e rezou. O Chicote desceu.
João viu mais um milagre, Sinhô vinha trazer-lhe um agrado. Ao ver a cena, Sinhô imediatamente pediu que Claudio parasse com o castigo. Sinhô Chamou Claudio para perto de si e esbofeteou sua face. Disse que não poderia colocar ninguém no tronco sem seu consentimento, João havia levado duas chicotadas. Quando solto dos grilhões tratou de enxugar as lágrimas, Sinhô se aproximou viu lhe as feriadas, mandou que Dandará cuida-se dele, e Sinhô entregou-lhe o agrado, era a Bíblia.
Após esse dia o Ódio de Claudio só aumentou.
João seguia sua vida agora mais confiante que tudo tinha um porque, ele havia feito um bem e recebido outro em troca, estava confiante que tudo estava onde deveria por algum motivo maior. João havia se resignado, porem jamais deixou de sonhar com o mundo além do canavial.
João não sabia ler, e frequentemente pedia aos poucos que sabiam na Casa Grande para falar a respeito daquele livro. Foi assim que João conheceu Jesus e seus Feitos e conheceu o Deus do seu Senhor.
Os anos se passaram, Sinhô deixou a fazenda para Sinhozinho, o mesmo bebe que João ajudara a trazer lhe a vida.
Mas sinhozinho era diferente, nutria um ódio absurdo pelos negros, mas corria pelos cantos da fazenda histórias de estupros que praticava com as mais belas negras da senzala.
Os dias passavam e João estava inquieto, Sinhozinho era muito ruim, João passava todo o tempo no cafezal, já não cuidava mais dos animais e nem podia mais apanhar suas ervas.
Já não havia tanta confiança em seus olhos, era preocupante demais os assassinatos dos bastardos de sinhozinho e a continua fuga de seus irmãos. Alguns irmãos juravam vingança e outros recorriam a magias antigas, João havia se tornando o Ancião que sucederá a Pedro, mas não tinha mais como evitar os rancores e ódio que seus irmãos começavam a nutrir pelos seus carrascos.
João consolava suas irmãs violadas, dava esperança aos jovens que viam a brutalidade desses dias ensinando que tudo naquela vida sofrida era passageiro, mesmo que só com a morte o mal fosse desfeito.
Certo dia João foi chamado às pressas para a Casa Grande acudir Sinhozinho que delirava febril, João, ao adentrar no quarto estremeceu, viu seus irmãos falecidos, os bebes assassinados, todos cobrando e amaldiçoando sinhozinho. Mais uma vez Pedro se fez presente e disse:
- Poderá afastar o mal dele, mas ele está condenado nessa vida, a escolha é sua.
João interveio com piedade e com lágrimas na face, clamou para o juízo de seus irmãos para que perdoassem para serem livres da aquele lugar, disse também que a liberdade estava ao alcance deles e que pedissem seu perdão e perdoassem os males sofridos. Após muitas rezas e muitos gritos de loucuras de Sinhozinho, a mãe de sinhozinho já falecida veio em espírito ajudar na batalha, finalmente os irmãos foram se desligando do jovem rapaz, uns perdoaram e foram libertos ali mesmo, levados aos planos superiores, outros foram amarrados e levados a profundezas esgotar seus ódios. A mãe Clamou a sinhozinho que pedisse perdão pois havia lhe chegando a hora, sinhozinho olhou para João e estendeu sua mão e pediu perdão, João disse que nada havia de perdoar e  que tudo foi como deveria ser. Porém, o Sinhozinho chorou e temeu pelo futuro, pois seus crimes foram muitos. A mãe sabia que não poderia leva-lo, mas ao menos ele foi preparado para suas expiações. Sinhozinho faleceu para nascer na vida eterna com um longo caminho de expiação pela frente.
João sentiu que sua hora também chegou.
Claudio perceberá que os gritos param e entrou no quarto.
Ao ver seu senhor morto, agarrou João pelo pescoço, arrastando João para fora da casa, pegou seus capatazes e foram carregar João até os grilhões, posto à ferro nos troncos, João sorriu, aceitou seu destino e chorou em seguida... o chicote passava de mão em mão à medida que ia cansando, até por fim darem por satisfeitos. Claudio Olhou para João todo moribundo e pediu a João que se pudesse sorrisse, João se esforçou em sorrir... Claudio não se conteve praguejou e ordenou para continuar com o chicote. A senzala labutou, e seu lamento começava a ecoar. Por fim João foi deixado para o sol e para a chuva. 3 dias de agonia, quase à beira da loucura João foi solto. Era seu antigo sinhô que voltou a fazenda com a morte do seu filho, vinha até a senzala, porque havia sonhado na noite anterior com sua esposa, ela pedia para libertar João.
Sinhô disse:
És livre João! És Livre!
João fechou os olhos para o mundo dos vivos, e quando abriu estava num quarto, limpo com aromas florais e um jarro d’água sobre uma mesa.
João olhou em volta e uma porta se abriu, era Pedro o Ancião.
Pedro disse, és livre meu fio!
João chorou imensamente abraçado a seu mestre.
Pedro disse:
- Nosso povo carece de vois, vois perdoou a tudo, aceitou a tudo e no fim não perdeu a fé, Deus mandou o auxílio e a liberdade. Vamos voltar e, juntos ensinar a nosso povo a aguentar com esperanças o dia do fim desse lamento.
E João foi iniciar um trabalho de amor, caridade e resignação, todo o mal fora lavado com o sangue do chicote, nada mais havia de mal no Velho Negro há não ser esperança, e uma fé inabalável. E um novo nome. Pai João da Caridade.
Que todos possam receber com amor o caminho que lhe foi dado, e com sacrifício e resignação deixem o lamento de lado e abracem com fé a vossa vida.
Hoje sois livres, usem com sabedoria a vossa liberdade!
Sarava!

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A Bandeira do Brasil é o símbolo máximo de representação da nação brasileira perante os outros países.

A atual versão da bandeira brasileira foi apresentada em 19 de novembro de 1889, através do Decreto nº 4, quatro dias após a proclamação da República no Brasil, substituindo a antiga bandeira imperial do país. O desenho da bandeira foi de Décio Vilares, com inspiração na bandeira do Império. 

A bandeira do Brasil é formada por um retângulo verde, um losango amarelo no centro, uma esfera azul celeste dentro do losango, e uma faixa branca com a frase "Ordem e Progresso". Na bandeira brasileira ainda estão 27 estrelas que representam os 26 estados e o Distrito Federal do país. 

No Brasil existem alguns regras e leis referentes à utilização da bandeira nacional:

  • Em todos os órgãos públicos, a bandeira deverá ser hasteada todos os dias de manhã e recolhida ao final da tarde;
  • A bandeira não deverá ficar hasteada durante a noite, a não ser que esteja bem iluminada;
  • A bandeira brasileira não deve ser desrespeitada, conforme garante o artigo 31 da lei nº 5.700, de 1º de Setembro de 1971:

"São consideradas manifestações de desrespeito à Bandeira Nacional, e portanto proibidas:

I - Apresentá-la em mau estado de conservação.
II - Mudar-lhe a forma, as cores, as proporções, o dístico ou acrescentar-lhe outras inscrições.
III - Usá-la como roupagem, reposteiro, pano de boca, guarnição de mesa, revestimento de tribuna, ou como cobertura de placas, retratos, painéis ou monumentos a inaugurar.
IV - Reproduzi-la em rótulos ou invólucros de produtos expostos à venda".

Significado das cores da bandeira do Brasil

As cores oficiais da bandeira brasileira são o verde, amarelo, azul e branco, com a frase "Ordem e Progresso". 

Originalmente, simbolizavam as cores das casas reais da família de D. Pedro I. No entanto, ao longo dos anos os brasileiros associaram outros significados para cada uma das cores:

  • "branco", significa o desejo pela paz
  • "azul", simboliza o céu e os rios brasileiros
  • "amarelo", simboliza as riquezas do país
  • "verde", simboliza as matas (a rica floresta brasileira)

A frase "Ordem e Progresso" foi baseada nos estudos do filosofo francês fundador do positivismo, Augusto Comte. 

Significado das estrelas da bandeira do Brasil

No dia 11 de maio de 1992 a bandeira brasileira passou a ter 27 estrelas (formato atual), inserindo os estados do Amapá, Tocantins, Roraima e Rondônia.

Antes de 1992, a bandeira brasileira tinha 23 estrelas, representando os 23 estados brasileiros da época. De acordo com o Decreto de Lei nº 5.443, de 28 de maio de 1968, sempre que um novo estado for criado no Brasil, uma nova estrela deverá ser inserida na bandeira brasileira. 

A primeira versão da bandeira do Brasil tinha 21 estrelas, que representavam os estados do: Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba do Norte (atual Paraíba), Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso, Município da Corte. 

As estrelas da bandeira brasileira representam os estados brasileiros e o Distrito Federal. A disposição e tamanho de cada estrela foi estabelecida a partir da visão do céu da cidade do Rio de Janeiro na noite de 19 de novembro de 1889. 

A única estrela que está acima da faixa branca do "Ordem e Progresso" representa o estado do Pará, que na época era o maior território próximo ao eixo equatorial. 

Dia da Bandeira

O Dia da Bandeira é comemorado todos os anos em 19 de novembro. Foi essa a data, em 1889, que aconteceu a instituição da bandeira republicana nacional como bandeira oficial do Brasil.

Mesmo sendo considerada uma data de extrema importância para o país, não é um feriado nacional no Brasil.

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